sábado, 11 de setembro de 2010

poemas de rafael walter

o mal não tem medo
o mal não tem pai
o mal não tem mãe
o mal degenera

a faca serra
o sangue jorra





*


Somos todos iguais


I

Temos todos acesso à saúde,
educação, trabalho, lazer
transporte, segurança e moradia
e também ao pão nosso de cada dia.

Temos todos acesso ao transporte
uns de BMW e F1000;
Outros apertados nos ônibus
sob miras de fuzis.

Temos todos acesso à tecnologia
uns têm seus próprios notebocks e PCS;
Outros, as sucatas que se encontram
nos templos chamados faróis do saber.

Temos todos acesso ao lazer
uns a piscina, clube, cinema e dvd;
Outros apenas brincam de
drogas, armas e granadas a revender.

Mas o que nos diferencia?
É essa igualdade que tanto nos destrói,
Pois somos todos iguais.

Sim, somos todos iguais
temos corpo, alma e espírito,
sonhos, desejos e emoções
e até moramos no mesmo país

II

Temos todos acesso ao trabalho
uns são donos de pedágio;
Outros como na corvéia
trabalham para não morrer

Mas eu me pergunto,
Porque somos todos iguais?

Temos todos acesso à saúde
uns ao plano médico;
Outros em grandes romarias ou em filas
de espera, aguardam seu dia chegar.

Temos todos acesso à educação
uns ao saber inatingível;
Outros aprendem sempre
que devem obedecer.

Temos todos acesso à segurança
uns como os próprios Césares;
Outros a segurança de
que amanhã a falta poderão ter.






Ele apenas a amava,
Sentiu a dor do partir
Embebedou-se
Da incerteza do porvir

Queria apenas sentir
tudo que o inundava
naquele instante

Pensou e ousou falar
por entre seus lábios
calados,

Mas entendeu
que não havia
palavra que refletisse
o amor do partir





festa da democracia
− ou carnaval eleitoral


a hipocrisia mor
tomará a rua
com falácias
bandeiras adesivos
carros de som

propondo o novo
de décadas atrás
distribuindo santinhos
de faces maquiadas
que ocultam a engrenagem
do sistema viciado
em processos burocráticos
de carimbos e assinaturas
do senhor presidente

que às seis da manhã
reúne os comparsas
para profana ceia
da pauta do dia

que antes de ser votada
já está aprovada
em benefício da Cúpula
parasita do banquete
que seria servido
em plena praça pública

















*

apocalíptico

crianças beberão cicuta em mamadeiras
mascarão naftalinas inteiras
úlceras invadindo nossas cabeças
quando descobrirmos
que somos escravos da tecnologia
e dormimos somente para recarregar as baterias




*

Volátil


sangue, era sangue aquilo no papel
não marca de cigarro
borra de café ou algo derramado

uma gota que ilustrava a paisagem branca
ligava-se ao mundo numa hemorragia

como uma samambaia
que se laça
sem saber onde, além


*

se acaso me sentir tristonho
voltarei para casa
abraçando todos os postes

e se ainda assim me sentir sozinho
acordarei os passarinhos
para que mais cedo cantem dos encantos desta vida


*



safari


árido deserto minha boca sem a tua
fadada a lassidão do nada
sinto esvair-se pelos poros: a vida
numa eurritmia cardíaca
restos em meu sangue
lembram do último instante
sentido lindo infindo
acaso fruto destino
vida entortar nossos caminhos
e o desenrolar de fatos fartos
espalhados pelas esquinas esquecidas
das cidades adormecidas
enquanto vibra o sutil significado
dos campos por nós desbravados



Rafael Walter

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