sexta-feira, 8 de outubro de 2010

altero ego

cláudio bettega (02/06/1971-06/10/2010)


me perco na perda,
a perda que me seda;
me escondo no escuro,
o escuro que me cega.

procuro uma fresta
por entre as sedas
dos lençóis da
melancolia,
quero mil passos além
da letargia.

buscando a busca
do futuro,
do porto seguro,
arrasto meu coturno
e suo meu bestunto.

meu corpo,
em mórbida lamúria,
me limita a vida,
seu som e sua fúria.

a voz que me roubo
rouba a cena do apedrejamento,

o punhal com que me firo
há muito me segue em giros,
palavras, muitas vezes,
alvejam como tiros.

o lamento de agora
vai terminando –
o muro já me serviu,
a cabeça já partiu...

resta adormecer as feridas,
sonhar com os anjos,
com as musas,
apagar as pegadas doídas
e, em resfolegares brandos,
expurgar as imagens
confusas.

cb, 23.04.2010

http://claudiobettegaemcena.blogspot.com/2010/04/me-perco-na-perda-perda-que-me-seda-me.html


       "poemas, rostos,
             fonemas
      descrevo seu mundo
          num segundo
              e faço
              o meu
      acaricio o seus olhos
            com beijos
     reprimo nossas vidas
   para que sejamos apenas
           um do outro
         mas o tempo
     traz uma verdade
               doída
      e resta apenas
     um forte abraço
      de despedida"

p.49



poesia vadia
pedaço de carne destroçada
detrito-excremento do intestino mental
pilha de palavras bagacentas
poesia vadia
tecido podre
poema-necrópsia de idéias mortas
refúgio de refugos
porto de urubus
droga dilascerante
poesia vadia
porcaria corrosiva"

p.67


[Bettega, Cláudio. Busca. Curitiba. Edição do Autor. 2006]



Ah! poeta
 por que te vais tão cedo
e deixas a ânsia do teu grito


Ah! poeta
pensei que daria tempo
para mais uma, um poema em dueto


Ah! poeta
como é triste, como é triste
saber que a morte existe

 
Ah! poeta
teu canto em cada voz
em cada página resiste


rf w

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