segunda-feira, 4 de outubro de 2010

cimento e esquecimento


não sou daqui
nem de lugar algum

            dissipo-me no tempo
            afasto-me da guerra

construo de fumaça
                        o castelo
onde não esta presa
bela princesa

na paz enrolada tragada
um mundo entre os dedos

            o tempo em brasa
queima queima

a chama do esquecimento

o sonho
de uma cidade que não é de cimento,
mas de gente
                                   árvores crianças

não um grande canteiro de obras
sobras
para desvios
                        milhões
                        aos de terno e gravata
                        senhores burocratas

e o leite das crianças?

            aumento aos bancários
            aumento aos bancários

divisão de lucros e juros

            o pastor também divide
            10%
            mas não é garçom

ah!
não gritem nem balancem bandeiras
não entupam meus ouvidos de asneiras

eu quero,
a paz entre os dedos

a falsa realidade
o esquecimento a perda
tudo enrolado na seda


Rafael Walter

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