quinta-feira, 18 de novembro de 2010

meus lábios tocaram os teus
na xepa do cigarro que me deu
vontade de te entorpecer-te os
                         [cinco sentidos
feito um sindicato de drogas
e escorreria feito gelo derretido
fritaria até os miolos ficarem
                                 [mexidos
cheraria os trilhos de Morretes
                      [ao trem da morte
um beijo, a vida, a sorte,

destino se acredita acaso
profundidade fosse raso
me afogaria no poço mais próximo
e degustaria junto ao lodo
a ânsia de apodrecermos
verde, junto as árvores,
               [que padecem
e o canto sepultado dos pássaros
do concreto que destruirei
e construirei tua forma nua
qual obelisco arisco
e não deixarei cão nenhum mijar em cima
e não direi aqui tem dono
qual cão burocrata
e não rimarei te amo
com terno e gravata
pois não me apetece,
só teus lábios babilônicos,
                         [esta noite,
a verdade em natura
como lei a criatura

aprender a tocar violão
fazer da cama moldura
do colchão conforto
gozar o prazer nos lençóis
                   [e lavar depois

lei do cão, do 38,
ah   ah  ah   ah   ah   ah   ah
qual arqueiro destemido
do baixo e do polido
numa só vazante
prazer hilariante

glândula excretora língua
o hedredon xadrez
o toca disco a tocar clichês
da última moda sonora
antes tarde que nunca
morar numa espelunca!
que não? que somos?

não que o sol se levante
para secar as roupas
ou fazer da praia paraíso
de água e sal no corpo
absorto embalsamado
pisar a terra, areia,
como se fosse a lua
fodam-se os americanos
desbravar o acampável
nú, corpo a corpo,
sede fonte fartura
como quem mergulha no oceano
                        [sem ter planos,
de que onde quando
viver de bolsa família
é assim que funciona
em vista potencial
para romance novela
poesia
um fusca para levar a moça
                [bonita para casa
num dia de chuva
queimar baganas lábios

acreditar no imprevisto
como certeza do possível
ver no fundo da lata
os centavos que vale
sem contar nos dedos
sinto minhas veias pedirem
                         [descanso,

boa noite
              é a de conjugar o verbo foda-se

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