sexta-feira, 10 de junho de 2011

CONFISSÃO DE UM BOÊMIO - Aurora Silva Cury


Eu tomo o meu whisky e fumo o meu cigarro,
e vejo a madrugada em névoa se cobrir.
Da mesa do meu bar, ao longe escuto um carro
em louca disparada... e súbito sumir.

É nessas pequeninas coisas que me agarro
e passa lentamente o tempo e eu sem dormir.
Garis varrendo a rua, só eu é que não varro
as lembranças cruéis que insistem em me punir.

E o relógio a bater e o corpo já cansado
e a alma dolorida dos golpes do passado,
debruço-me na mesa, sou um ébrio qualquer.

E o dia clareando e o sono me entorpece,
o cérebro adormece e do passado esquece,
ficando no meu copo um vulto de mulher!


Aurora Silva Cury
Paranaguá

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