quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

assassinar esse lirismo, antes que ele me mate

lápis, papel, caneta, conhaque
duas mãos para pensar
um corpo para escrever
uma lua para contemplar

um cais, um pedaço de céu, preta e sotaque
- tuas são minhas formas de acariciar
num porto que separa meu ser
sei que as gaiolas vazias dão crias

é o mesmo vento que leva a  semente
o que passa por entre as astes de metal
circundantes da presa, criatura fria,

já não presente, mas ali na poesia
no chão em que pisa e desliza
na noite em que sentia a brisa

Rafael Walter e Rafael Dauer
Ilha Rasa, terça-feira 10 de janeiro de 2012
Núcleo de Interveção e Livre Atuação (NILA)

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