segunda-feira, 23 de julho de 2012

quanto a transitoriedade do espaço-tempo



I

alma, que lavada esvai-se
e sublima o corpo,
em seu esqueleto revestido de carne fria,
 dentro das veias,
onde não há escape
a matéria, fadada a transitoriedade,
ao instanteaquiagora,
e talvez nada mais que um amanhã,
e vaga vadia sem saber ao certo o motivo
que ao certo o incerto  o deserto
onde a água é mais rara
e a fonte límpida,
incessante


II 
       vamos e convenhamos
e mesmo que discordemos, 
       viagens  são feitas de partida
e a volta é só para aqueles
     que não encontraram caminho

     e os rumos são por acaso,
vias que se apresentam,
     e fazem da vida,  destino

III

migrar mil mundos num segundo
irrigar os jardins submersos,
 visitar o êxtase profundo,
dar nome aos bois e as coisas,
em cada e qualquer canto um encanto, 
ver o que não está na superfície e resiste,
mesmo que ao fundo de um poço,
e roer o osso, sem dizer a dor
sem lamentar o reclamar
ou querer dar nó em pingo d’água,
viver o instante, como se fosse incessante,
e ir além, pular as cercas,
fugir a regra, fazer do limite o céu,
disparar, aqui, agora
 antes que tudo se exploda, e foda tudo

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